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13 Jan 2015
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entrevista rui guimaraesVoltamos à zona norte para falar um um jovem, mas com já muitos anos de Xadrez e muitos projetos. O Rui Guimarães é um dos impulsionadores dum recente clube em Matosinhos, o GX 113, que com um ano de idade já está na 2ª Divisão do CN por Equipas e classificou-se em 3º lugar no CN Semi-Rápidas por Equipas de 2013/2014. Com 35 anos de idade, mas com uma larga experiência, mantêm a chama ativa do xadrez e vontade de evoluir e voltar a patamares já conquistados, mas ao mesmo tempo mantendo a dedicação de como dirigente e organizador potenciar o crescimento do xadrez. Atualmente tem 2080 de Elo, ainda longe dos 2181 de máximo registado. Mas 2014 foi um ano cheio, com quase 130 partidas homologadas! E 2015 continuará a ser cheio. Vamos conhece-lo um pouco melhor.



1. Como começaste a jogar xadrez? Como te iniciaste na modalidade federada?
R: Quando eu tinha por volta de dez anos vi o meu irmão mais velho a jogar xadrez com um vizinho e fiquei logo interessado. Uns meses mais tarde ensinaram-me as regras na escola e comecei a jogar com amigos. Estava bastante entusiasmado. O xadrez federado só aparece um par de anos mais tarde na minha vida quando fizeram um pequeno torneio no local onde eu vivia, a cooperativa Realidade, e criaram um projecto para formar um clube com os participantes desse torneio. Fiquei absolutamente agarrado ao xadrez federado depois de ter jogado o meu primeiro distrital no porto e ter-me apurado para os Nacionais. A partir daí o apuramento para os nacionais seria um objectivo para o qual eu trabalharia todos os anos. Nessa altura havia apoio monetário para quem se apurasse para os Nacionais e isso foi fundamental para eu continuar a jogar.


2. O que pensas da realidade do xadrez hoje em dia?
R: Sinto que o xadrez tem-se apagado do panorama desportivo. Digo-o com alguma tristeza pois, como antigo dirigente de um clube e da AXP, sinto ter feito imensos esforços locais para que a modalidade se desenvolvesse. Depois disso, estive ausente durante dez anos dos torneios em Portugal e quando regressei encontrei muitos dos mesmos jogadores e poucas novidades. Com novos meios de divulgação ao dispor e a introdução de vários projectos associados ao xadrez nas escolas esperava-se que houvesse hoje mais jogadores do que nunca. No entanto, se olharmos para o número de filiados nas últimas dez épocas vemos um tremendo decréscimo. Nas competições, como por exemplo a Preliminar do Campeonato Nacional Absoluto realizada há pouco tempo, nota-se também uma baixa do número de participantes. Poderá haver muitas razões para esta situação mas penso que há um fator importantíssimo de que se fala pouco. Falo da falta geral de apoio aos clubes e aos seus dirigentes. São os dirigentes dos clubes que criam a dinâmica necessária para motivar atletas e sem eles a modalidade reduzia-se a praticamente nada. Muitos clubes e secções de xadrez morrem pela simples saída dos seus dirigentes como, por exemplo, aconteceu com o CDUP, que chegou a ter uma equipa muito forte nos anos 90, ou, mais recentemente. o Motoclube do Porto. Os clubes enfrentam agora a maior vaga de cortes institucionais de que há memória enquanto que ao mesmo tempo os custos da prática desportiva aumentam. Isto adiciona-se ao desgaste que é a organização das atividades dentro e fora do clube. Esta realidade pode não ser evidente para aqueles que não conhecem os bastidores do associativismo mas a verdade é que podemos ter todas as crianças em Portugal a aprender xadrez que sem clubes bem estruturados para os receber não haverá atletas para além do contexto escolar. O xadrez português necessita urgentemente de mais clubes e apoiantes que estejam dispostos a participar no dirigismo associativo. Certamente pode-se fazer mais para melhorar esta situação. Se por um lado há uma grande falta de apoios estatais que a comunidade xadrezistica não controla por outro lado há pequenas medidas que podiam ser positivas. Por exemplo, a criação de um novo clube implica um esforço enorme na leitura de leis labirínticas e um esforço monetário que ao início é difícil de prever. Seria ótpimo que se reunisse toda esta documentação num sítio só. Talvez um manual para quem criar um clube de xadrez ou talvez um pack "novo clube" com toda a informação necessária de leitura simples e com material de xadrez a preços muitos promocionais (repare-se que um novo clube representa também mais uma fonte de receita a longo prazo). Devia-se também promover a troca de boas práticas entre clubes e premiar quem se esforça por promover actividades. Pode-se também promover os clubes durante as actividades escolares espalhando brochuras com a apresentação dos clubes locais. Isto são apenas pequenos exemplos e certamente se reflectirmos mais profundamente sobre este problema encontraremos mais e melhores ideias. Para mim é certo que os clubes, e os dirigentes que os dinamizam, são de uma importância que é frequentemente esquecida. Uma realidade que é urgente mudar..


3. Qual foi o torneio que mais gostaste de participar? Qual foi o melhor resultado que conseguiste na tua carreira xadrezística?
R: O jogador mais forte que já derrotei será seguramente o GM Paunovic no recente Profigaia Open mas não terá sido, de longe, o meu melhor jogo nem aquele que me deu mais prazer. Para isso terei que andar para trás no tempo 15 anos. Altura que o xadrez tinha muito mais impacto na minha vida, provavelmente devido à minha tenra idade. Queria-me afirmar no mundo do xadrez e sempre procurei jogar criativamente. Nem que isso, muitas vezes, me levasse a ficar em graves apuros de tempo. Na preliminar do Campeonato Nacional Absoluto em 1999 cheguei à seguinte posição de pretas com o Mestre António Silva. Foi uma combinação que me ficou na memória...:

entrevista rui guimaraes 2


4. Quais são os seus hobbys para além do xadrez?
R: Jogar xadrez consome praticamente todo o tempo livre para quem que se quer manter competitivo. Tenho um boa pilha de livros de ciência popular que comprei à uns anos e que vai ser difícil acabar de ler a médio prazo...


5. Continuas muito ativo nas provas nacionais. Quais são os seus planos a médio/longo prazo no xadrez? Quais os principais objetivos para a época 2014/2015?
R: Estou relativamente ativo mas continuo a sentir necessidade de mais provas. O circuito nacional de lentas vai certamente ser importante para manter o meu ritmo. Para um jogador poder evoluir tem que estar constantemente a empurrar os seus limites em partidas lentas. Para já quero recuperar a força de jogo que fui perdendo por inactivade e depois traçarei novos objectivos. Uma das minhas prioridades é tentar levar o meu clube à primeira divisão.


6. O xadrez é uma modalidade em que se assume várias funções. Em qual te vês mais ativo: jogador, treinador, dirigente?
R: Sou primeiro um atleta. Sou também tesoureiro no Grupo de Xadrez 113 mas conto com uma equipa fantástica na direção. Em tempos em que o tempo abundava assumi cargos de dirigente no meu antigo clube, o GCDR Realidade. Aí cheguei a dar aulas de xadrez quatro vezes por semana. Também nessa altura fiz parte da Associação de Xadrez do Porto e da Federação Portuguesa de Xadrez. Foi absolutamente desgastante mas aprendi uma importante lição. Todo o trabalho de direção tem que ser feito em equipa, com humildade e com a cooperação dos envolvidos caso contrário torna-se impossível atingir os objectivos a que nos propomos. Diz a sabedoria popular que se queremos ir rápido vamos sós mas se queremos ir longe devemos ir acompanhados. Nada se aplica melhor ao dirigente associativo no xadrez. Só o trabalho de equipa envolvendo clubes e associações poderá levar a modalidade mais longe.

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