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18 Ago 2014
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entrevista paulo fanhaPaulo Fanha, que este ano celebrou os seus 44 anos, é um dos jogadores com presença habitual nos vários torneios deste país, principalmente na zona de Lisboa. Jogador do Clube EDP, foi um dos responsáveis por voltar a trazer a equipa à 1ª Divisão para a época de 2013/2014. Filiado desde os seus 13 anos, continua a sua toada ativa no mundo do Xadrez. Fez recentemente parte do Conselho de Disciplina da FPX sem nunca descurar o seu faro para o jogo. Só no último ano realizou nada mais nada menos que 161 partidas homologadas para ELO FIDE nos diferentes ritmos. Tem atualmente 1928 de ELO depois de participar na Fase de Apuramento do Campeonato Nacional Individual Absoluto que se realizou em Famalicão, está agora com a sua equipa a disputar a 1ª Divisão. Vamos conhecê-lo um pouco melhor.



1. Como começaste a jogar xadrez? Como te iniciaste na modalidade federada?
R: Eu nasci na cidade da Beira, em Moçambique, durante a guerra colonial. O meu tio Filipe, irmão do meu pai, cumpriu lá o seu serviço militar e ele gostava de jogar xadrez com os seus camaradas. Aprendi o movimento das peças por observação direta. Percebendo que com 4 anos eu os entendia, o meu tio só teve que me ensinar a rocar e a tomar na passagem. Venci o 1º torneio em que participei na minha escola na Póvoa de Santo Adrião em 1981. Só voltaria a tocar num tabuleiro de xadrez em 1985, num torneio disputado no Hotel Roma. Comecei então a jogar federado pela Casa do Algarve, de onde me transferi para o Ateneu Comercial de Lisboa, onde então o seccionista era o (Manuel) Duque. Aí, eu fui o 3º tabuleiro de uma equipa de jovens em que o 4º tabuleiro era... o agora MI (e várias vezes Campeão Nacional) Carlos Pereira dos Santos!


2. O que pensas da realidade do xadrez hoje em dia?
R:Penso que a qualidade média do xadrez em Portugal tem aumentado nos últimos anos. Todavia, creio haver um grande caminho a percorrer se o que pretendemos é elevar a modalidade a outros patamares. Resumidamente, acredito que esse caminho deveria passar pelo aumento do número de praticantes na escola pública (para gerar massa crítica), desburocratização na criação de clubes escolares e mediatização da prática do xadrez.
Tal como outras modalidades, o xadrez necessita de verbas televisivas para crescer. No entanto, para vender um produto, há que criar a necessidade do consumo desse mesmo produto. Não temos que inventar nada: "basta-nos" fazer o que outras modalidades já fizeram! Tomemos como exemplo de boas práticas o futsal ou o póquer (que, sendo menos telegénico, até já tem canais especializados na TV por cabo). Começaram por permitir transmissões televisivas a "custo zero", gerando com isso uma necessidade de consumo e a concomitante fidelização de um público. Agora, geram receitas televisivas muito apreciáveis que proporcionam verbas diretas e indiretas (patrocínios) que movimentam alguns milhões de euros. E as necessidades de financiamento do xadrez são consideravelmente menores...
Imagine-se o seguinte programa televisivo: um genérico onde se resumem rapidamente as regras do xadrez (como nos programas de póquer), seguindo-se uma apresentação dos contendores e uma prévia troca de "bocas" entre os mesmos (à moda do wrestling e temos excelentes "cromos" para isso). Seguir-se-iam os embates (partidas rápidas), comentados ao vivo por dois mestres residentes, com o auxílio de um computador. Comentários que se poderiam (e deveriam) estender para lá do jogo. Numa fase inicial, prevejo que os canais televisivos dos grandes clubes de futebol (que têm uma necessidade de preencher as suas grelhas televisivas com conteúdos "low cost") agradecessem a possibilitar de efetuar estas transmissões graciosamente. Creio que o retorno financeiro surgiria ao fim de um ano de transmissões regulares. O televisionamento, por si só, aumentaria o número de praticantes, a visibilidade e a facilidade de acesso a patrocínios. Findo este período, acredito que haveria canais dispostos a pagar para transmitir, organizar e financiar estes eventos. Há que rentabilizar a vertente espetáculo da nossa modalidade!


3. Qual foi o torneio que mais gostaste de participar? Qual foi o melhor resultado que conseguiste na tua carreira xadrezística?
R: O Torneio de Odemira, em muitas das suas edições. Sem desprimor para outros momentos mágicos como o Open Mundial de Léon, o torneio de Odemira sempre foi aquele pelo qual eu ansiava o ano todo. Pelos jogadores (fantásticos) que lá jogavam, pelos prémios, pela terra (cores e odores), pela gastronomia e pelas gentes.
Ao nível individual, conto com vários triunfos em torneios em todos os ritmos. A minha melhor classificação em campeonatos nacionais foi um 4º lugar (semirrápidas, 2009). Por equipas, fui campeão de Lisboa pelo CCR Coruchéus (com quem fui Campeão Nacional da III divisão) e pelo Clube EDP, por quem ainda na época passada fiquei em 3º lugar no Nacional de Semirrápidas. Subi a todas as divisões, inclusive à já extinta I divisão (Fase de Apuramento) e já acabei invicto em todas elas, exceto na I divisão (a sério) onde só me estrearei em agosto. Deu-me um certo gozo ser o melhor 2º tabuleiro no Campeonato Nacional de Semirrápidas em 2012 (invicto, com 6,5 em 7 e performance de 2329). Também fui campeão nacional universitário pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.


4. Quais são os seus hobbys para além do xadrez?
R: Leio e ouço música (predominantemente heavy-metal ou anos 80). Retomei antigos hábitos de exercício físico e, ocasionalmente, faço voluntariado.


5. Continuas muito ativo nas provas nacionais. Quais são os seus planos a médio/longo prazo no xadrez? Quais os principais objetivos para o resto da época 2013/2014 e para a próxima época?
R: Por "convite" do Estado português, fiz um pedido de rescisão contratual. Como a maior parte dos xadrezistas que me conhece saberá, eu sou professor de Ciências Físico-Químicas há 22 anos (metade da minha vida) e concluí que não poderia constituir família (desejo antigo) num país em que sou visto apenas como uma despesa que urge cortar. Tomada a decisão de sair, os desígnios do coração conduziram-me a Moscovo (Rússia), o que eu encaro como uma oportunidade para dar um salto qualitativo no meu desempenho escaquístico. Na próxima época, representarei um clube em cada extremo da Europa e acredito que um dia ainda poderei ser um mestrezinho...
Nesta época, ainda tenho um objetivo coletivo e outro individual. Em termos coletivos, quero ajudar o Clube EDP a garantir a permanência na I divisão; em termos individuais, pretendo terminar invicto esta prova, como já fiz em todas as outras divisões nacionais e distritais. Tenho a noção que esta é uma pretensão ambiciosa (quiçá, irrealista). Mas fazer 7 jogos de pretas e não perder nenhum na Fase de Apuramento também o parecia... e concretizou-se!
A próxima época será de aprendizagem intensiva. Farei por evoluir na Rússia e tentarei mostrar o que aprendi quando regressar, desejavelmente para ajudar o meu clube na I divisão.


6. O xadrez é uma modalidade em que se assume várias funções. Em qual te vês mais ativo: jogador, treinador, dirigente?
R: Tenho sido cada vez menos dirigente. Findo o projeto do Brandoa United (que fundei), a minha colaboração com a AX Lisboa (fui vogal), a Coordenação Nacional do Xadrez Escolar (fui eu quem instituiu o Campeonato Nacional Escolar) e tendo apresentado o meu pedido de demissão do Conselho de Disciplina (por força da minha ida para fora), deixarei também de ser o Consultor Técnico do Xadrez Escolar de Amadora, Cascais e Oeiras.
Como treinador, acalento a esperança de que alguém continue o trabalho que iniciei nas escolas da Brandoa. É um contexto que tem tanto de desafio, como de apaixonante. Dá um gozo fantástico ajudar estes jovens (com uma base de recrutamento consideravelmente distinta) a discutir olhos nos olhos com os colossos do xadrez escolar em Lisboa, a Escola 31 de Janeiro e o Colégio São João de Brito.
Creio, portanto, penso que nos próximos anos serei mais ativo apenas como jogador.

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