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18 Jun 2014
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entrevista hugo lima santosO Hugo Lima Santos continua a sua ascensão no panorama xadrezístico. Depois de uma excelente época em 2013, que culminou com a obtenção do título de Mestre Nacional em novembro de 2013, 2014 tem tudo para ser uma época ainda melhor. Atualmente com 2229 pontos de Elo FIDE, transferiu-se esta época para o Clube TAP, tendo sido convocado para as Olimpíadas de Xadrez 2014, que se realizam na Noruega de 1 a 14 de agosto. Sagrou-se recentemente o vencedor do Torneio Nacional de Mestres 2013/2014 com uma subida de 32 pontos de Elo e conquistando pelo 3º ano consecutivo uma presença na Fase Final do CN Individual Absoluto (a época passada foi 4º classificado).

 

 

1. Como começaste a jogar xadrez? Como te iniciaste na modalidade federada?
R: Desde muito cedo que senti uma especial empatia com jogos de estratégia, essencialmente jogos onde a capacidade intelectual assume um papel de maior relevo. O meu pai ensinou-me o movimento das peças mas, apesar da minha vontade em aprender mais do jogo, iniciei-me tarde na modalidade. Entre os meus 14/15 anos participei num torneio aberto, em Viseu, apenas para experimentar e ver se gostava do xadrez de competição. Assim, conheci o António Mamede Diogo, que acabou por ser o meu primeiro mestre/professor de xadrez. O Diogo jogava no Bombarral, mas tinha o sonho de criar um clube de xadrez. Conversamos sobre essa possibilidade e, em pouco tempo, com enorme dedicação e pro-atividade do meu pai e do Diogo conseguimos concretizar a ideia de formar e filiar na FPX um clube de xadrez, ainda que tivesse um caráter claramente familiar. Por outras palavras, julgo que foi a casualidade do encontro entre duas pessoas muito firmes, o meu pai e o Diogo, que me permitiu iniciar no xadrez como atleta federado, na AEFCR Penichense.

 

2. O que pensas da realidade do xadrez hoje em dia?
R: Em termos globais, o xadrez está longe de ser o desporto do povo. Internacionalmente, há cerca de cinquenta jogadores que superam a marca dos 2700 de elo, para os quais tem havido relativa facilidade em fazer do xadrez a sua vida; há ainda o mesmo número de jogadores para aqueles que se depreendem entre os 2700 e os 2650, que, dependendo da idade, poderão já encontrar algumas dificuldades nessa matéria. Isto significa que, mesmo a nível externo, o xadrez ainda tem um longo caminho a percorrer para se impor, para se assumir como uma atividade indispensável ao desenvolvimento cognitivo, numa fase mais precoces, ou, posteriormente, à semelhança do que acontece noutros desportos, mesmo para fazer parte dos interesses sociais.
Portugal tem vindo a conseguir recuperar alguma identidade, uma vez que se tem organizado alguns eventos importantes e se tem tomado que algumas medidas têm vindo a ajudar a promover a modalidade. No entanto, creio que ainda há um longo caminho a percorrer nomeadamente a nível da promoção da modalidade, pois, a nível social, o xadrez é uma modalidade com pouca expressão. Como tal, esta prática desportiva precisa de grande união e proatividade dos seus membros para que possa haver continuidade no estudo deste fascinante jogo, após terminada a fase de formação, o que normalmente ocorre na faixa etária dos vinte anos.

 

3. Qual foi o torneio que mais gostaste de participar? Qual foi o melhor resultado que conseguiste na tua carreira xadrezística?
R: Enquanto jovem participei, em representação de Portugal, em campeonatos do mundo e da Europa; tive a oportunidade de jogar vários opens internacionais com mais de 200 participantes, o que geralmente implicava a inscrição de cerca de 75 titulados; e ainda conquistei vários pódios nos campeonatos de nacionais de jovens, tanto em ritmos acelerados como em lentos.
Neste início da minha vida adulta, tenho jogado menos torneios, mas, no geral, tenho obtido resultados ainda mais interessantes, tendo conquistado o pódio da Fase de Apuramento do CN Individual Absoluto por duas vezes consecutivas, registando excelentes participações nas respetivas Fases Finais (o que inclui um quarto lugar, em igualdade pontual com o terceiro) e conseguido resultados de mérito em alguns torneios abertos. Por exemplo, conquistei o 2.º lugar no Torneio Internacional de Gaia, em igualdade pontual com o GM Dragan Paunovic, que foi primeiro pelos critérios de desempate.
No global, o torneio em que mais gostei participar foi aquele em que desde muito cedo o ambicionei conquistar – o campeonato nacional de jovens. Fui campeão nacional de juniores – sub20, naquilo que considero ter sido uma das provas em que, mais uma vez, me consegui superar.

 

4. Quais são os seus hobbys para além do xadrez?
R: Dedico bastante tempo à minha atividade profissional, não obstante, em termos gerais, gosto de conviver, estar com amigos, mas também aprecio bastante a música, ler e escrever; e claro, é sempre agradável ver um bom filme, nomeadamente com boa companhia.

 

5. Continuas muito ativo nas provas nacionais. Quais são os seus planos a médio/longo prazo no xadrez? Quais os principais objetivos para a
época 2013/2014?
R: Atualmente encaro o xadrez como um hobby e, como tal, desde que me sinta motivado, a minha ideia é ir jogando, dando o meu melhor em cada jogo. Espero continuar a ter prazer em jogar, o que, admito, também está ligado à obtenção de resultados. Nessa perspetiva, penso que com o tempo posso vir a tornar-me Mestre FIDE e, dependendo da dedicação, pois o xadrez requer bastante tempo, talvez lute por outros objetivos.

 

6. O xadrez é uma modalidade em que se assume várias funções. Em qual te vês mais ativo: jogador, treinador, dirigente?
R: Desses três ramos indicados, num futuro próximo, penso continuar mais envolvido na qualidade de jogador, todavia, dependendo das minhas motivações, essa vertente facilmente se poderá alterar, uma vez que ser-se jogador requer uma dose elevada dos níveis motivacionais, capacidade de trabalho, muita energia, boa preparação física e uma disposição psicológica forte que seja capaz de nos fazer recuperar das derrotas (pois não é fácil estar 5 horas à frente de um tabuleiro para, muitas vezes num só lance, deixar ingloriamente perder o jogo).

 

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  • 2017/12/10 CirnC1718 - IV International Azores Chess Open Resultados
  • 2017/12/02 CirNSR1718 - 20º Torneio Aberto de Xadrez da Freguesia de Benfica Resultados
  • 2017/11/25 CirNSR1718- Xeques Tranquilos Resultados

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