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30 Mai 2014
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entrevista luis santosO Luís Santos é um dos grandes entusiastas do Xadrez, com muitos anos de modalidade. É o filiado número 41 da FPX, com o 4º valor mais baixo dos atuais filiados e o 8º no Ranking Nacional dos filiados. Com apenas 58 anos de idade, tem uma carreira impar nas várias vertentes do xadrez sem nunca deixar para trás um desafio. Em 2012 foi o Capitão da Seleção Masculina nas Olimpiadas de 2012, cargo que voltará a ocupar em 2014. Em março aderiu com uma vontade imensa ao desafio do Campeonato Europeu de Veteranos 2014, que se realizou em Portugal, tendo disputado o fortíssimo escalão dos 50+ e conquistado um excelente 9º lugar em 36 jogadores, sendo o melhor português classificado nas provas de lentas. Vamos conhecê-lo um pouco melhor.

 


1. Como começaste a jogar xadrez? Como te iniciaste na modalidade federada?
R: Aprendi as regras com meu irmão mais velho cedo (cerca dos 7 anos), mas nem gostava de jogar porque ele demorava muito tempo a pensar. Praticamente só comecei a jogar aos 16 anos lendo um livro numa viagem de barco de regresso de Moçambique em 1971. Quando cheguei tive a sorte de ter na escola (Pedro Nunes em Lisboa) um colega (que veio a ser presidente da FPX...!) que organizou um torneio e outro que me levou para um clube (Clan Juventude liderado pelo Alvaro Pereira) e entrei rápido no xadrez federado seguindo os conhecimentos de estudo e análise dos meus dois mestres Silvas (o Vítor Silva, muito teórico e o mestre Fernando Silva, muito mais prático). Não só comecei logo no xadrez federado, como comecei bem orientado (Alvaro, Vítor e Fernando).

2. O que pensas da realidade do xadrez hoje em dia?
R: A modalidade ainda não interiorizou o seu verdadeiro valor na sociedade e sua fabulosa História que suplanta qualquer outro desporto. Somos um desporto que se joga na Internet em todo o Mundo e não soubemos aproveitar isso a nosso favor. Para quê querermos ser modalidade olímpica? Ainda por cima com o custo absurdo de termos de aceitar um regulamento anti-doping perfeitamente absurdo e sem certeza de sermos de facto incluídos,... nem sequer nos Jogos Olímpicos de Inverno! De todas as substancias proibidas pela FIDE, nenhuma aumenta o rendimento desportivo, pelo contrário, todas diminuem! (mesmo se puderem eventualmente aumentar em determinada situação do jogo). Portanto: não há, nem pode haver, doping no xadrez como demonstrou o médico Alvaro Rosa no Festival de Lisboa de 1998. A única batota que devemos controlar é o acesso a computadores e nem isso ainda sabemos fazer bem.
Querendo fazer algo, andamos a castigar severamente (proponho um cartão amarelo, apenas, derrota apenas ao segundo cartão) chamadas de telemóveis recebidas por acaso durante os jogos (na Olimpíada de Istambul os aparelhos eletrónicos nem sequer entravam na sala de jogo) em vez de tentar apanhar os verdadeiros batoteiros e impedir, de facto, o acesso a computadores (lentes de contacto biónicas, por exemplo, ou acesso a computadores nos sanitários.
Mas a modalidade vai bem, apesar de ter sido afetada pela crise financeira mundial. Mas isso travou o aparecimento de outra modalidade (homem + máquina vs homem + máquina) com futuro que só será entendida pelo público em geral (como o automobilismo demorou a ser) quando ficar inequivocamente provado que num duelo demonstrativo homem + maquina vs máquina sozinha o resultado seja sempre a vitória sistemática do conjunto homem + máquina. Isto porque o público em geral ainda pensa que os computadores são mais fortes que os humanos. Se o fossem (eliminando o fator do erro humano por lapso) o presença do humano no duelo homem + máquina vs máquina sozinha seria irrelevante. E não é! Não é mesmo! Saber ser bom piloto de computador requer mestria. Não só a mestria do xadrez clássico (o atletismo do xadrez que sobreviverá sempre), como também a mestria de perceber onde os computadores podem ser úteis e onde são completamente inúteis e até contra-producentes. Encontrado um mestre corajoso no xadrez clássico e que perceba de computadores, um bom piloto, é ainda necessário que ele aceite o desafio de pilotar um computador portátil contra um poderoso computador (ambos com acesso a base de dados - algo que foi negado ao homem sempre nos espetáculos de circo homem vs máquina) em ritmo de jogo lento e assim abrir as portas à modalidade de futuro: homem + máquina vs homem + máquina, o supraxadrez que também só faz sentido em ritmo lento.

3. Qual foi o torneio que mais gostaste de participar? Qual foi o melhor resultado que conseguiste na tua carreira xadrezística?
R: A contra-olimpíada da Líbia em 1976 pela extraordinária camaradagem entre todos os elementos de todas as equipas presentes. Inesquecível especialmente para um jovem de 21 anos. Atingi entre 1989 e 1992 o 3º melhor rating do mundo da Federação Internacional de xadrez por Correspondência: 2690 (quando não havia ajuda de computadores no xadrez por correspondência)

4. Quais são os seus hobbys para além do xadrez?
R: Leitura, Física (seduz-me a nanotecnologia e as suas potencialidades), Astronomia, Viagens e jogar Ténis no campo desportivo.

5. Continuas muito ativo nas provas nacionais. Quais são os seus planos a médio/longo prazo no xadrez? Quais os principais objetivos para a época 2013/2014?
R: Praticamente, nos últimos anos, tenho estado apenas ativo em provas por equipas (Portugal e Espanha) e, mesmo assim, nem sempre. Não tenho planos, mas quero continuar sempre a jogar, sempre que possa, Adoro jogar xadrez. Não tenho objetivos por época. Meu próximo objetivo é ser bom capitão de equipa da seleção nacional absoluta. E assim continuar o trabalho que iniciei com algum sucesso em 2012. A minha experiencia como jogador em diversas Olimpíadas anteriores ajuda muito, mas não chega. Espero fazer melhor este ano.

6. O xadrez é uma modalidade em que se assume várias funções. Em qual te vês mais ativo: jogador, treinador, dirigente?
R: Sem dúvida como dirigente apesar de ser, de momento, apenas delegado da FPX. Especialmente na área do xadrez jovem e do xadrez escolar, tenho uma larga experiencia de 21 anos de atividade (1985-2006) envolvendo três dezenas de escolas públicas (especialmente 2º ciclo e acima), coordenação de mais de duas dezenas de monitores e treinadores, e direção e arbitragem de cerca de um milhar de torneios jovens, quer a nível escolar, inter-escolar, inter-municipal, distrital, nacional ou mesmo internacional. Além de querer desenvolver muitas ideias sobre a melhor forma de divulgar o xadrez e assim aumentar exponencialmente a atividade. Quando o amor é grande, energia nunca falta.
Gosto de jogar, mas acho que consigo transmitir ainda melhor o meu amor pelo xadrez aos jovens. É sempre isso que peço aos meus monitores e árbitros escolares. Como em tudo na escola, o principal trabalho consiste em motivar a criança para a matéria e ensiná-la a pensar por ela própria.

 

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