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07 Fev 2014
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entrevista luis alvesO próximo entrevistado é o Luís Alves, um dos homens mais ativos nas várias vertentes do xadrez nacional. O Presidente da Associação de Xadrez de Lisboa é um entusiasta do xadrez, ele joga, ele dirige, ele arbitra, ele treina. Atualmente a jogar no GD Ramiro José, onde ajuda no dirigismo do clube, continua a comandar a Associação mais ativa de Portugal, com provas distritais umas a seguir às outras. Vamos conhecer melhor este exemplo de dedicação e trabalho.

1. Como começaste a jogar xadrez? Como te iniciaste na modalidade federada?
R: Comecei a jogar Xadrez com uns amigos de rua, os irmãos Calçada Bastos (Nuno e Rui, que enveredaram pelas artes plásticas) que me ensinaram, mas na altura eu - tinha uns 10 anos - pensava mais em futebol. Contudo foi aí que aprendi o jogo ou melhor o movimento das peças e,ao contrário da generalidade das famílias, fui eu que ensinei ao meu Pai, que apenas jogava Damas, tendo ele sido Campeão da Estação das Amoreiras (creio) e jogador de Damas no INATEL.
Mais tarde, já no Ensino Superior, certo dia apareceu pelo ISCAL um jogador da ACR Vale de Cambra, o Augusto Vide que, em jogos "ao toque" (sem relógio) deu-me uma "tareia" para recordar, numa tarde 13-0!! Mas isso fez-me ter vontade de aprender e fui, em 1990, a um Inter-ISCA's no Porto representar o ISCAL (eram 2 elementos por ISCA) e jogar "a sério" com relógio e tudo!! E ouvir alguns jogadores que eram federadas dizerem as coordenadas, ou seja, a movimentação das peças, era para mim um quebra cabeças! Mas gostei do jogo e do desafio de fazer melhor! E houve um torneio dos extintos Jogos de Lisboa, em 1991, na Junta de Freguesia do Alto do Pina, apareceu por lá um tal de Altino Costa e 4 "fregueses", entre os quais eu próprio, e jogámos um todos contra todos (ou um "todos nabos") e eu ganhei o torneio com 5v1d, penso que foi no longínquo ano de 1991 (se a memória não me atraiçoa!). Depois nesse ano ainda joguei uma Final Concelhia (aberta) dos Jogos de Lisboa, mas em que apenas pude jogar de manhã (trabalhava às tardes), mas o "bichinho" cresceu. Lembro-me de ter empatado com o Carlos Moysan e de ter entendido que o árbitro, Luís Oliveira, o safou da derrota (erro de principiante), pois em vez de xeques contínuos com a Torre, para o "apertar" pois estava nos apuros, tinha lance que ganhava e não vi!
Mais tarde, em 1992, joguei um torneio do CAC Pontinha organizado pelo MI Luís Santos e fui "o melhor não federado". Comecei a procurar perto de onde vivia e acabei por ir parar aos Coruchéus, na altura com muita atividade, o secionista era o Luís Reynolds e tinha um ambiente de clube excelente e boa camaradagem, até jogávamos futebol de 5 juntos durante anos.

 

 

2. O que pensas da realidade do xadrez hoje em dia?
R: O Xadrez está muito evoluído tecnicamente e os jogadores podem preparar-se com apoio informático. Mas corre-se alguns riscos de "saturação" ao nível do topo, talvez tenha de se valorizar mais a vitória, como em outros desportos.
A nível Europeu a aprovação pelo Parlamento Europeu com, salvo erro, maioria superior a 2/3 da recomendação de implementação do Xadrez nas Escolas deveria ter sido um comboio para a modalidade mas os problemas financeiros dificultam esse trajeto. Alguns países estão a seguir a recomendação (p.e. a Polónia) e nos estamos "em Troikados"...
Em Portugal existem bons trabalhos em diversos pontos do País, onde incluo bons trabalhos de clubes do Distrito de Lisboa, mas penso que temos que conseguir mais para um pulo quantitativo e qualitativo.
A modalidade tem que se organizar para evitar que jogos como o Bridge, e o Poker "roubem" praticantes.
A vitória do Magnus Carlsen foi muito positiva para a vitalidade do Xadrez Mundial.

 

3. Qual foi o torneio que mais gostaste de participar? Qual foi o melhor resultado que conseguiste na tua carreira xadrezística?
R: O torneio que gostei mais de participar, não é fácil, mas talvez os 3 Opens Internacionais da Cidade de Faro, organizados por Armando Lopes na Universidade do Algarve entre 1997-1999 pois tinha condições de alojamento e hora de jogo excelente: 20h o que permitia desfrutar do dia (visitar a região, fazer praia, estudar, etc, etc), e um clima espetacular! Só mesmo no Algarve (...não! não é por ser algarvio...ehehe)
Em termos de resultados como jogador ganhei pouco mais que uma "mão cheia" de torneios, um ou outro torneio, em abertos, ou na AXL ou no INATEL, mas considero que o melhor foi por um lado ter sido Campeão Distrital do INATEL de "clássicas", mas jogado em ritmo de semi rápidas, ganhei no desempate mas estavam presentes alguns mestres nacionais e outros jogadores mais cotados que eu (no último ano em que houve Xadrez no INATEL), nunca fui recolher o troféu! e por outro ter jogado uma final do CN Rápidas no Porto (apenas 79 jogadores), penso que em 2010, onde não fui o último em 12 finalistas! Ganhou o GM António Fernandes!
Como treinador foi ter treinado os jovens Vicente e Virgílio Li-Dong e terem feito, no Distrital 1.º e 3.º em Sub.08 (em 1.ª época) e depois 4.º e 22.º no Nacional, respetivamente.

 

4. Quais são os seus hobbys para além do xadrez?
R: Tenho 2 filhas pequenas de 4 e 6 anos, e depois delas e do Xadrez (AXL etc) sobra muito pouco tempo, mas gosto de fazer corrida de manutenção, só ao ar livre (para manter a forma, embora ultimamente tenha "faltado aos treinos"),ir ao cinema, coleciono BD e faço umas atividades radicais (já experimentei rappel, jogos de cordas, cannoying, paint-ball, canoagem, escalada, orientação) uma vez por ano, para motivar o espírito de equipa.

 

5. Continuas muito ativo nas provas nacionais. Quais são os seus planos a médio/longo prazo no xadrez?
R: A médio longo prazo sonho em ter disponibilidade para me dedicar ao jogo "mais à séria" - e não ao dirigismo - e ultrapassar a "barreira" dos 2000...Jogo com muita frequência mas analiso, e preparo-me pouco para as partidas e deveria começar por melhorar o meu reportório de aberturas, que é quase inexistente, trabalhar muito os finais e exercitar como "manutenção" o meio-jogo...
Penso jogar enquanto tiver saúde para puder fazê-lo...

 

6. O xadrez é uma modalidade em que se assume várias funções. Em qual te vês mais ativo: jogador, treinador, dirigente
R: Serei sempre jogador, mas por ironia do destino aceitei envolver-me no dirigismo e vários compromissos têm-me mantido nesta função. ´
Treinador fui por necessidade do clube (famoso art.º36 do RC), mas também pelo prazer em ensinar e adorei voltar a essas funções no último CN de jovens dar uma "forcinha" a uns jovens talentos do xadrez "lisboeta"; e direcionar uma sénior brasileira que esteve recentemente entre nós.
Dirigente tenho sido, desde 2006, primeiro na AXL, depois até acumulei na FPX, mas não conto estar muitos mais anos nesta função, é a parte mais complexa e a que é menos reconhecida.

Mas desgastante, em termos de tempo, e de me custar mais: é árbitrar. "Santos" homens! Respeitem-os sempre!

P.S. Já "viram" o que é estar numa sala cheia de tabuleiros e relógios e jogadores e não puder jogar?! Safa que tortura!!



 

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