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20 Jan 2014
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entrevista vitor guerraO Vítor Guerra é o entrevistado desta vez. Atualmente jogador do CECSSAC onde é o 1º tabuleiro, é um dos treinadores mais ativos, tanto na formação como no jogo. É um dos mentores do projecto de xadrez na Escola 31 de Janeiro que ano após ano cria novos jogadores de xadrez. Ainda recentemente este no Campeonato Nacional Individual de Partidas Rápidas, onde terminou em 11º lugar num torneio com vários jogadores titulados. Vamos conhecê-lo um pouco melhor.

1. Como começaste a jogar xadrez? Como te iniciaste na modalidade federada?
R: Comecei a jogar durante o auge do Plano de Desenvolvimento de Xadrez da Câmara Municipal de Loures em 1984. O Luís Santos e o Manuel Duque faziam um trabalho muito bom, e com o apoio da C.M.Loures e conseguiram iniciar milhares de jovens. Eu fui um deles. No início eram só as participações nos torneios escolares, inter-escolas e torneios locais, mas em 1986, dois anos depois de começar, fui filiado na FPX e comecei a jogar as provas distritais e nacionais. Desde aí nunca mais parei e pouco tempo depois, com 16 anos, já estava a trabalhar com eles ensinando novas crianças.

2. O que pensas da realidade do xadrez hoje em dia?
R: Eu adoro xadrez. As pessoas têm muito a ganhar com a prática do xadrez e é um desporto muito rico, mas não é altura de estar com paninhos quentes, e cingindo-me à realidade nacional: estou bastante preocupado e amargurado com o crescente desaparecimento de jogadores, clubes, dirigentes e até associações. É assustador comparar os dias de hoje com o passado não muito longínquo. Mais do que discutir regulamentos, falta de dinheiro, campeões daqui ou dali, é fundamental haver quem pense o xadrez, a sua evolução recente e o seu futuro, analise a fundo os resultados e realidades destes últimos 20 ou 30 anos e se avaliem as causas para esta evolução que considero globalmente negativa.
Como é possível que em 30 anos de competição mais a sério, tenham surgido tão poucos mestres internacionais ou grandes mestres?
Porque é que não existe um manual de ensino de xadrez para professores e se distribui por todas as escolas do país? Quem diz um manual diz também um cd com um simples jogo e instruções em português.
Porque é tão difícil fazer listas de dirigentes para associações e órgãos da federação. O que afasta as pessoas? Porque se contam pelos dedos os jovens bons que apareceram nos últimos anos e porque há um abandono quase total a partir de certa altura das suas vidas? Porque alguns mestres portugueses não jogam em Portugal e fazem-no no estrangeiro? Porque é que muitos jogadores de topo abandonaram o xadrez, porque é que não se aposta mais na arbitragem pois os árbitros são os principais responsáveis por tudo o que se passa nos torneios ...  e podia continuar por muito mais tempo, mas vou terminar apontando os principais factores que encontrei, após reflectir em todos estes aspectos.
Penso que, a nós portugueses, nos falta disciplina e rigor, e que por causa dessa falta de rigor, falta de disciplina e falta de clareza, se facilita muito e se contornam permanentemente as regras e isso faz com que aconteçam casos. Casos que afastam as pessoas,que minam a credibilidade das instituições e da modalidade, criam animosidades e em ultima instância afastam os jogadores.
Penso também que outro factor que leva ao abandono do xadrez é a falta de exigência. Uma dúvida que me tem atormentado nos últimos anos é a seguinte: vale mais a pena fazer mal feito ou não fazer? Digo isto pelo seguinte, vejo muitos torneios organizados em locais e circunstâncias inacreditáveis, más cadeiras, más mesas, más peças, musica, circo, aulas de ginástica a decorrer ao lado ao mesmo tempo do torneio, torneios sem árbitros suficientes ou com poucos e incompetentes árbitros. Torneios que não começam a horas ou que acabam muito para além do previsto. Organizadores que sistematicamente não aprontam a sala do torneio no dia anterior e deixam para a manhã do próprio dia. É melhor organizar em más condições ou não organizar de todo? Ainda não decidi, mas estou claramente inclinado para o lado de não se dever organizar sem boas condições. Temos de ser muito mais exigentes connosco!
Outro aspecto é a disciplina, ou melhor a falta dela. Porque está sempre a haver casos e não há consequências? Porque não se punem as pessoas? Uma das coisas que menos gosto nos torneios são as discussões (e até agressões ou lutas) durante os torneios. Tenho vergonha quando os meus alunos e seus pais assistem a discussões, gritos, acusações durante os torneios. Porque é que ninguém
educa, expulsa ou pune estas pessoas?
Publicitem-se as coisas boas! Elogie-se quem merece! Respeitem-se os horários e regulamentos! Castigue-se quem prejudicar!  Não se organizem torneios em más condições! Aposte-se mais na arbitragem! Ensinem-se e eduquem-se os jogadores e publico.  Tudo isto e o xadrez melhorará de certeza!

3. Qual foi o torneio que mais gostaste de participar? Qual foi o melhor resultado que conseguiste na tua carreira xadrezística?
R: Sem duvida nenhuma a última edição do fortíssimo torneio de Oviedo em 1992, onde estavam todos os jogadores de topo, Bronstein, Taimanov, as Polgar, Kramnik, Timman .... o Luís Galego era o 102 inicial. Cerca de 500 participantes, mesas para invisuais, computadores a participar no torneio, um pavilhão gigantesco, uns 40 árbitros, 60 GMs, venda de material, todas as estrelas que eu admirava e estudava mesmo ao meu lado.... melhor só deve ser mesmo as olimpíadas. Gostei também muito de estar nos mundiais de jovens enquanto treinador.
Os meus melhores resultados em xadrez foram ganhar um torneio de semi-rápidas no Barreiro em que estavam mesmo todos os craques de Portugal e isso na presença de dezenas dos meus alunos. A participação no Europeu de Sub-20 em Israel. O último lugar sem vitórias no torneio internacional de Odivelas foi também um dos torneios que mais me enriqueceram e ajudaram na minha formação.
E enquanto treinador, a vitória no mundial de escolas em 2007 em Praga e o titulo de campeã da UE.

4. Quais são os seus hobbys para além do xadrez?
R: Bem ... eu sou profissional de xadrez, e nos intervalos também jogo xadrez, o pouco tempo livre é para a família. Tenho uma vida normal, faço de tudo um pouco e não tenho tempo para mais nenhum hobby.

5. Continuas muito ativo nas provas nacionais. Quais são os seus planos a médio/longo prazo no xadrez?
R: Tenho andado afastado dos principais palcos de competição e tenho jogado muito pouco, estou a ver se recupero o ritmo. Passei por um período de alguns exageros a nível pessoal e profissional e desejo conseguir um maior equilíbrio e chegar a mestre FIDE em pouco tempo.
Não sei se tenho tempo para conseguir dedicar-me o necessário.

6. O xadrez é uma modalidade em que se assume várias funções. Em qual te vês mais ativo: jogador, treinador, dirigente?
R: Como jogador, penso que continuarei sempre a jogar embora neste momento não o consiga fazer tanto como desejava. Como treinador não tenho mãos a medir e infelizmente não tenho capacidade para fazer um trabalho tão bom como desejo e poderia fazer, pois tenho cerca de 500 alunos, 400 na Escola 31 de Janeiro onde o xadrez é uma disciplina obrigatória e 100 espalhados por mais duas escolas e clubes. É demasiado e nesse campo, actividade é coisa que não me falta. Como árbitro, elaborei há pouco tempo, em parceria com a FPX um manual de conduta e de regras básicas para tentar formar os jovens e comunidade. Fiquei muito satisfeito e orgulhoso do resultado. Como dirigente, estou a gostar bastante do meu trabalho como vice presidente da AG da FPX, pois tem-me permitido aprender bastante sobre a parte organizacional e "politica" da FPX ,leis e regulamentos. Áreas aborrecidas para a maioria das pessoas, mas que considero fundamentais. Há algum tempo atrás percebi que se queria realmente mudar algo tinha de ir ao centro das decisões e perceber como tudo se passa e faz. Não adianta falar mal e nada fazer.

 

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