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21 Dez 2018
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entr-vania-coutinho1.Como foi o teu primeiro contacto com o Xadrez?
O meu primeiro contacto com o xadrez aconteceu quando andava na escola. Era habitual jogarmos damas e xadrez durante os intervalos, sobretudo nos dias de chuva; tratava-se de um entretenimento com o seu quê de desafio que, num modelo de competição totalmente saudável e despretensiosa, nos divertia. Passados vários anos, voltei a encontrar-me com o xadrez quando estava a desenvolver a minha prática pedagógica numa escola do 1.º ciclo em Aveiro. No âmbito do PDX (Projeto de Desenvolvimento de Xadrez) desta cidade, a turma com que estava a trabalhar tinha xadrez com o Professor Dinis Furtado – o modo do Dinis ensinar, o entusiasmo dos alunos em aprender e toda a envolvência em torno da organização de torneios fizeram-me apaixonar pela modalidade e querer saber mais, enquanto jogadora, mas principalmente enquanto pessoa capaz de ensinar.

2. Quem te deu a conhecer o Xadrez Federado?
Conheci o xadrez federado de modo mais aprofundado com o Professor Dinis Furtado, quando, em 2010, começámos a colaborar juntos num projeto de AEC (Atividades de Enriquecimento Curricular), em que ambos eramos professores e coordenadores (o Dinis de xadrez e eu de atividades lúdico-expressivas). Conversávamos bastante e eu ia tendo alguma ideia do que era esse mundo – como era uma área de que gostava, a atenção era muita e a curiosidade por saber mais continuava a crescer. Foi, então, em 2013 que mergulhei verdadeiramente no mundo federado do xadrez, quando comecei a dinamizar aulas da modalidade no CX do ATL da Coutada e no CX do Colégio Português. Lembro-me que o fascínio por este novo mundo foi enorme, assim como o empenho e a dedicação que investi para corresponder o melhor possível às expectativas e responsabilidades que me haviam sido confiadas.

3.Desenvolves há uns anos o trabalho de formação com jovens nas escolas, como está a ser essa experiência?
O xadrez escolar é bastante diferente do xadrez federado. É um trabalho menos exigente a nível de conhecimentos técnicos, mas mais rigoroso em termos de estratégias de motivação dos alunos para a aprendizagem da modalidade, pois, ao contrário de um clube, numa escola nem todos os alunos que estão nas aulas têm efetivo interesse pelo xadrez. É importante conseguirmos mostrar-lhes o lado divertido do jogo e fazê-los acreditar que todos podem aprender, desmistificando também alguns mitos (“o xadrez é uma seca”, “o xadrez é só para rapazes” ou “o xadrez é só para alunos inteligentes que tiram muito boas notas”, por exemplo), até pelos benefícios do xadrez em termos escolares e de aprendizagem para a vida. Apesar do desafio constante que é dinamizar aulas interessantes e entusiasmantes em contexto escolar, a maior parte dos alunos gosta da atividade e a participação massiva em torneios é prova disso, para além de funcionar como um fator de motivação adicional. A par da boa participação dos alunos em torneios, a maior recompensa de ensinar nas escolas acontece quando o interesse dos alunos os leva a quererem frequentar o xadrez federado, inscrevendo-se em clubes – esta é a maior prova de que o nosso trabalho foi bem sucedido.

4.Ao longo deste percurso, já conseguiste levar alguns jovens do ATL da Coutada ao pódio, tens a sensação que estás a cumprir os teus objetivos?
Quando a Clara e o David se sagraram campeões nacionais, escrevi um pequeno texto que penso (e sinto!) que resume os meus objetivos mais profundos no xadrez.

“sim, os resultados importam.

mas eu vou sempre preferir o que permanece para lá disso:
a cumplicidade,
a magia,
o entendimento silencioso,
a Amizade,
os Sorrisos
e a Felicidade partilhada.

(…)

mas estou igualmente orgulhosa de todos os outros pequenos gigantes que durante cinco intensos e exigentes dias deram o seu melhor, jogo após jogo. pelo percurso que fizeram, pelo empenho e dedicação, pela coragem e resistência. que ninguém pense que é fácil.

agradeço-vos por, frequentemente e de diferentes formas, me proporcionarem momentos de brilho tão intenso (…)”

Isto para dizer que não limito os meus objetivos no xadrez a resultados alcançados. Talvez por ser professora de formação inicial, o meu intuito vai muito para lá de prémios e pódios. Obviamente que adoro vê-los brilhar, sentirem-se felizes por terem alcançado lugares de maior destaque numa competição – mas eu espero sempre que eles percebam que a maior vitória é conseguirem alcançar lugares de destaque no desafio que é a vida e na boa base de valores que devemos ter, independentemente do resultado do jogo ser uma vitória ou uma derrota. Importa que cada um consiga dar o seu melhor e é neste sentido que tento trabalhar diariamente: ajudá-los a revelar o melhor de si quando têm um tabuleiro à frente e uma outra pessoa com quem jogar. Paralelamente, espero que as aprendizagens proporcionadas pelo xadrez possam ser aplicadas noutras áreas da vida que extravasem este contexto. Teria dificuldades em sentir-me realizada se tivesse alunos que fossem ao pódio, mas não tivessem uma atitude humilde e de cooperação com os colegas. Tudo tem valor, mas, para mim, nestas idades é a formação base de valores (para a vida!) que mais importa.

5.Conta-nos quais são os objetivos da Edubox no Xadrez?
O xadrez surgiu como parte de vários projetos educativos que a Edubox – através do pES – Projeto Enriquecer Sentidos – e os seus parceiros – como a Forminho – têm vindo a levar a cabo, desde 2010, em escolas do 1.º ciclo em concelhos de norte a sul do país (Paços de Ferreira, Estarreja, Sátão, Aveiro, Ílhavo, Mealhada, Pombal e Estremoz). Inicialmente confinado às AEC (Atividades de Enriquecimento Curricular), o interesse dos alunos e dos pais levou ao surgimento de projetos de xadrez federado e de clubes escolares. Avançou-se, assim, com a parceria com o CX do ATL da Coutada e criaram-se os clubes CX da Nossa Sr.ª do Pranto e CX do Agrupamento da Mealhada. Atualmente, as atividades de xadrez em que a Edubox está envolvida põem em frente ao tabuleiro mais de 2000 crianças todas as semanas. Existe na Edubox a clara noção dos benefícios pedagógicos e em contexto educativo do xadrez e essa vertente tem sido uma aposta nos projetos educativos que esta entidade propõe a escolas e autarquias. Por outro lado, há também a noção de que muitas crianças e pais gostariam de levar mais a sério o xadrez e existe a necessidade de orientar as crianças mais interessadas e capazes para clubes existentes ou então criar as estruturas que permitam esse caminho. Além disto, a Edubox criou um kit de iniciação ao xadrez (“O meu primeiro Kit de xadrez”) que tem vendido um pouco por todo o país e que se espera que se possa consolidar como uma ferramenta de apoio à iniciação ao xadrez, tendo ultrapassado mais de 2 mil vendas até ao momento. O objetivo primordial da Edubox é, pois, levar o xadrez ao maior número de crianças possível e ajudar à sua integração no contexto escolar.

6.O que é o Xadrez para ti? Hobby? Profissão?
A maior parte do meu tempo de atividade profissional é preenchida pela dinamização de aulas de xadrez (desde o pré-escolar até ao nível federado, passando pelo xadrez escolar) e pela (co)organização de torneios. Assim, o xadrez é maioritariamente uma profissão, contudo, existem momentos em que é um hobby, dado que gosto bastante de jogos de tabuleiro e o xadrez costuma integrar as sessões de tabuleiros.

7.Quais são os teus planos a longo prazo no Xadrez?
Espero continuar a dar o meu contributo para o desenvolvimento e evolução do xadrez no nosso País. Para isso, tentarei continuar ligada a iniciativas que fomentem a prática do xadrez sobretudo pelos mais jovens, quer seja através da dinamização de aulas e de formações, quer seja através da organização de torneios direcionados para estas idades. Paralelamente, espero continuar a levar os profissionais ligados à educação, bem como os pais, a perceberem as vantagens do xadrez associado ao contexto escolar. Gostava que, um dia, o xadrez fizesse parte da componente curricular das escolas, como sensibilização à modalidade (para alunos que, adiante, pudessem integrar clubes federados), mas primeiramente para que pudesse ser feito um trabalho global e articulado com outras áreas do saber, como a matemática e até mesmo a cidadania, de modo mais consistente e profícuo.



 

 

1.       Como foi o teu primeiro contacto com o Xadrez?

O meu primeiro contacto com o xadrez aconteceu quando andava na escola. Era habitual jogarmos damas e xadrez durante os intervalos, sobretudo nos dias de chuva; tratava-se de um entretenimento com o seu quê de desafio que, num modelo de competição totalmente saudável e despretensiosa, nos divertia. Passados vários anos, voltei a encontrar-me com o xadrez quando estava a desenvolver a minha prática pedagógica numa escola do 1.º ciclo em Aveiro. No âmbito do PDX (Projeto de Desenvolvimento de Xadrez) desta cidade, a turma com que estava a trabalhar tinha xadrez com o Professor Dinis Furtado – o modo do Dinis ensinar, o entusiasmo dos alunos em aprender e toda a envolvência em torno da organização de torneios fizeram-me apaixonar pela modalidade e querer saber mais, enquanto jogadora, mas principalmente enquanto pessoa capaz de ensinar.

 

2.       Quem te deu a conhecer o Xadrez Federado?

Conheci o xadrez federado de modo mais aprofundado com o Professor Dinis Furtado, quando, em 2010, começámos a colaborar juntos num projeto de AEC (Atividades de Enriquecimento Curricular), em que ambos eramos professores e coordenadores (o Dinis de xadrez e eu de atividades lúdico-expressivas). Conversávamos bastante e eu ia tendo alguma ideia do que era esse mundo – como era uma área de que gostava, a atenção era muita e a curiosidade por saber mais continuava a crescer. Foi, então, em 2013 que mergulhei verdadeiramente no mundo federado do xadrez, quando comecei a dinamizar aulas da modalidade no CX do ATL da Coutada e no CX do Colégio Português. Lembro-me que o fascínio por este novo mundo foi enorme, assim como o empenho e a dedicação que investi para corresponder o melhor possível às expectativas e responsabilidades que me haviam sido confiadas.

 

3.       Desenvolves há uns anos o trabalho de formação com jovens nas escolas, como está a ser essa experiência?

O xadrez escolar é bastante diferente do xadrez federado. É um trabalho menos exigente a nível de conhecimentos técnicos, mas mais rigoroso em termos de estratégias de motivação dos alunos para a aprendizagem da modalidade, pois, ao contrário de um clube, numa escola nem todos os alunos que estão nas aulas têm efetivo interesse pelo xadrez. É importante conseguirmos mostrar-lhes o lado divertido do jogo e fazê-los acreditar que todos podem aprender, desmistificando também alguns mitos (“o xadrez é uma seca”, “o xadrez é só para rapazes” ou “o xadrez é só para alunos inteligentes que tiram muito boas notas”, por exemplo), até pelos benefícios do xadrez em termos escolares e de aprendizagem para a vida. Apesar do desafio constante que é dinamizar aulas interessantes e entusiasmantes em contexto escolar, a maior parte dos alunos gosta da atividade e a participação massiva em torneios é prova disso, para além de funcionar como um fator de motivação adicional. A par da boa participação dos alunos em torneios, a maior recompensa de ensinar nas escolas acontece quando o interesse dos alunos os leva a quererem frequentar o xadrez federado, inscrevendo-se em clubes – esta é a maior prova de que o nosso trabalho foi bem sucedido.

 

4.       Ao longo deste percurso, já conseguiste levar alguns jovens do ATL da Coutada ao pódio, tens a sensação que estás a cumprir os teus objetivos?

Quando a Clara e o David se sagraram campeões nacionais, escrevi um pequeno texto que penso (e sinto!) que resume os meus objetivos mais profundos no xadrez.

“sim, os resultados importam.

mas eu vou sempre preferir o que permanece para lá disso:
a cumplicidade,
a magia,
o entendimento silencioso,
a Amizade,
os Sorrisos
e a Felicidade partilhada.

(…)


mas estou igualmente orgulhosa de todos os outros pequenos gigantes que durante cinco intensos e exigentes dias deram o seu melhor, jogo após jogo. pelo percurso que fizeram, pelo empenho e dedicação, pela coragem e resistência. que ninguém pense que é fácil.

agradeço-vos por, frequentemente e de diferentes formas, me proporcionarem momentos de brilho tão intenso (…)”

Isto para dizer que não limito os meus objetivos no xadrez a resultados alcançados. Talvez por ser professora de formação inicial, o meu intuito vai muito para lá de prémios e pódios. Obviamente que adoro vê-los brilhar, sentirem-se felizes por terem alcançado lugares de maior destaque numa competição – mas eu espero sempre que eles percebam que a maior vitória é conseguirem alcançar lugares de destaque no desafio que é a vida e na boa base de valores que devemos ter, independentemente do resultado do jogo ser uma vitória ou uma derrota. Importa que cada um consiga dar o seu melhor e é neste sentido que tento trabalhar diariamente: ajudá-los a revelar o melhor de si quando têm um tabuleiro à frente e uma outra pessoa com quem jogar. Paralelamente, espero que as aprendizagens proporcionadas pelo xadrez possam ser aplicadas noutras áreas da vida que extravasem este contexto. Teria dificuldades em sentir-me realizada se tivesse alunos que fossem ao pódio, mas não tivessem uma atitude humilde e de cooperação com os colegas. Tudo tem valor, mas, para mim, nestas idades é a formação base de valores (para a vida!) que mais importa.

 

5.       Conta-nos quais são os objetivos da Edubox no Xadrez?

O xadrez surgiu como parte de vários projetos educativos que a Edubox – através do pES – Projeto Enriquecer Sentidos – e os seus parceiros – como a Forminho – têm vindo a levar a cabo, desde 2010, em escolas do 1.º ciclo em concelhos de norte a sul do país (Paços de Ferreira, Estarreja, Sátão, Aveiro, Ílhavo, Mealhada, Pombal e Estremoz). Inicialmente confinado às AEC (Atividades de Enriquecimento Curricular), o interesse dos alunos e dos pais levou ao surgimento de projetos de xadrez federado e de clubes escolares. Avançou-se, assim, com a parceria com o CX do ATL da Coutada e criaram-se os clubes CX da Nossa Sr.ª do Pranto e CX do Agrupamento da Mealhada. Atualmente, as atividades de xadrez em que a Edubox está envolvida põem em frente ao tabuleiro mais de 2000 crianças todas as semanas. Existe na Edubox a clara noção dos benefícios pedagógicos e em contexto educativo do xadrez e essa vertente tem sido uma aposta nos projetos educativos que esta entidade propõe a escolas e autarquias. Por outro lado, há também a noção de que muitas crianças e pais gostariam de levar mais a sério o xadrez e existe a necessidade de orientar as crianças mais interessadas e capazes para clubes existentes ou então criar as estruturas que permitam esse caminho. Além disto, a Edubox criou um kit de iniciação ao xadrez (“O meu primeiro Kit de xadrez”) que tem vendido um pouco por todo o país e que se espera que se possa consolidar como uma ferramenta de apoio à iniciação ao xadrez, tendo ultrapassado mais de 2 mil vendas até ao momento. O objetivo primordial da Edubox é, pois, levar o xadrez ao maior número de crianças possível e ajudar à sua integração no contexto escolar.

 

6.       O que é o Xadrez para ti? Hobby? Profissão?

A maior parte do meu tempo de atividade profissional é preenchida pela dinamização de aulas de xadrez (desde o pré-escolar até ao nível federado, passando pelo xadrez escolar) e pela (co)organização de torneios. Assim, o xadrez é maioritariamente uma profissão, contudo, existem momentos em que é um hobby, dado que gosto bastante de jogos de tabuleiro e o xadrez costuma integrar as sessões de tabuleiros.

 

7.       Quais são os teus planos a longo prazo no Xadrez?

Espero continuar a dar o meu contributo para o desenvolvimento e evolução do xadrez no nosso país. Para isso, tentarei continuar ligada a iniciativas que fomentem a prática do xadrez sobretudo pelos mais jovens, quer seja através da dinamização de aulas e de formações, quer seja através da organização de torneios direcionados para estas idades. Paralelamente, espero continuar a levar os profissionais ligados à educação, bem como os pais, a perceberem as vantagens do xadrez associado ao contexto escolar. Gostava que, um dia, o xadrez fizesse parte da componente curricular das escolas, como sensibilização à modalidade (para alunos que, adiante, pudessem integrar clubes federados), mas primeiramente para que pudesse ser feito um trabalho global e articulado com outras áreas do saber, como a matemática e até mesmo a cidadania, de modo mais consistente e profícuo.

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PROVAS | Resultados

  • 2019/12/01 22º Open de Xadrez da Freguesia de Benfica Resultados

Calendário 2019/2020 (Atualização 2019/11/14) Calendário

  • 2019/12/14 Campeonatos Nacionais por Equipas Regulamento
  • 2020/01/04 Taça de Portugal por Equipas Regulamento
  • 2020/01/18 Campeonato Nacional por Equipas Semi-Rápidas Regulamento
  • 2020/01/25 a 2019/02/01 Open Portugal/Cidade de Lisboa Regulamento
  • 2020/02/02 Open Portugal Semi-Rápidas Regulamento

COMUNICADOS

Suspensão do Campeonato Nacional de Seleções Distritais Normal 0 21 false false false PT X-NONE X-NONE

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