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15 Fev 2017
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ent mnjuliosantosO mestre nacional Júlio Santos é o xadrezista português há mais anos em atividade. Aos 86 anos, mantém um ritmo competitivo invejável e disputa todas as partidas com grande fulgor. A vida do veterano mestre confunde-se com a história do xadrez português. Para lá de vários títulos conquistados como veterano, já foi vice-campeão nacional, em 1960, e representou Portugal em cinco Olimpíadas (Tel Aviv, 1964, Lugano, 1968, Siegen, 1970, Skopje 1972 e Nice, 1974), tendo tido honra de defrontar o campeão do Mundo Vassily Smyslov. Júlio Santos é pai de dois outros xadrezistas, Alberto Fernandes e António Fernandes, e foi o primeiro responsável pela carreira de ambos. O caminho percorrido por António Fernandes, grande mestre internacional e 15 vezes campeão nacional, enche Júlio Santos de orgulho.

O xadrez é a marca da vossa família. Sente orgulho pelo que conseguiram na modalidade?
Sim, tenho muito orgulho no nosso percurso. Embora só tenha aprendido a jogar já depois de adolescente, o xadrez aparece na minha vida pelo mão do meu irmão, Afonso, que me mostrou o jogo pela primeira vez aos 20 anos de idade. Ele ensinou-me o movimento das peças num tabuleiro muito antigo em que as peças nem estavam inteiras - faltavam as cabeças aos cavalos e ao Rei… - mas o jogo despertou-me logo a atenção. Sem nunca ter jogado antes, os meus colegas diziam que eu fazia os lances como apareciam nos livros e era muito engraçado, pois eles jogavam consultando o livro e eu não... Mais tarde, ensinei o jogo ao meu filho Alberto, quando ele tinha 4 anos, mas ao António não, pois ele era mais novo e pensei que fosse mais difícil ele tomar o gosto pelo xadrez. Até que ele um dia fez uma birra e então decidi ensinar-lhe também o jogo… E ainda bem que o fiz!

Já ficou em segundo e em terceiro no Campeonato Nacional Individual Absoluto. Tem pena de nunca ter ficado campeão?
R: Não, pena nunca tive, simplesmente nunca se proporcionou. Na altura que senti que estava na minha melhor forma, o Campeonato de Portugal era disputado em duas mãos, em Lisboa e no Porto. Com os meus filhos pequenos era difícil ter tempo para me dedicar mais ao xadrez. No entanto, ainda terminei em segundo nesse ano. Talvez se fosse tudo num só local a história talvez tivesse sido diferente.

Em quase sete décadas de atividade, quais são os momentos que melhor recorda?
R: Talvez o melhor momento que tive foi quando representei Portugal no Campeonato do Mundo de Veteranos, em Itália, quando tinha 80 anos. Fiz uma grande performance, pois só perdi três jogos ao longo de 11 sessões. Uma dessas derrotas ocorreu na última sessão, contra um grande mestre. O meu ranking inicial era o n.º 123 e acabei em 61.º, entre 150 jogadores.

Defrontou, nas Olimpíadas de Lugano de 1968, Vassily Smyslov, que já tinho sido campeão do Mundo. Qual foi a sensação?
R: Foi uma enorme satisfação, pois jogava contra um grande mestre e campeão do mundo, mas ao mesmo tempo sentia algum receio. Mas foi bastante gratificante para mim enquanto jogador ter defrontado alguém tão forte.

Recentemente, no Torneio de Honra, defrontou outro xadrezista veterano, o seu amigo Rodolfo lavrador. A primeira vez que se defrontaram foi em 1954. O que acha de ambos ainda estarem no xadrez de alta competição?
R: É bom sinal, pois quer dizer que continuamos com saúde e com um enorme gosto pelo jogo. Penso que isso é mesmo o mais importante. Somos amigos há muito anos e continuamos com vontade de encarar os desafios que nos são postos pelo tabuleiro.

Estudos recentes dizem que o xadrez ajuda a atrasar o envelhecimento do cérebro e o mestre é um bom exemplo disso mesmo. Considera que a modalidade deveria abraçar mais a terceira idade? Que recomendações daria nesse sentido?
R: O xadrez é fundamental para a o cérebro, seja na minha idade ou nos mais novos. O jogo obriga-nos a exercitar a mente e o pensamento. Todas as pessoas deviam experimentar. Penso que o segredo é mesmo não parar de jogar!

Como vê a evolução do xadrez em Portugal nos seus longos anos de atividade?
R: O jogo evoluiu muito desde que iniciei a atividade. Antigamente era mais difícil aprender, pois havia pouca documentação em Portugal. Todos os conteúdos que existiam, principalmente livros, tinham de vir do estrangeiro. Quando comecei a jogar mandei vir alguns livros à cobrança da Argentina e nunca pensei que alguma vez cá chegassem, mas a verdade é que chegaram. Como esses livros, para perceber alguns lances das aberturas, jogava primeiro de brancas e depois de pretas a mesma abertura. Eram realmente outros tempos…
Hoje em dia é mais fácil ter acesso à informação que não havia no meu tempo. As novas tecnologias vieram facilitar um pouco a tarefa do estudo do xadrez.

Quais são os seus objetivos para a presente época?
R: É ser campeão de veteranos, para dificultar aos outros baterem o meu recorde... (risos). Sempre com uma enorme vontade de ganhar e respeitando sempre os adversários.


 

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